O cliente automotivo pediu rastreabilidade: por onde começar

Por Equipe técnica da Codi

Resposta curta: quando o cliente automotivo pede rastreabilidade, ele quer que, a partir de qualquer peça entregue, a fábrica consiga chegar ao lote, à máquina, ao turno, à matéria-prima e às medições de qualidade daquela produção. O caminho é definir o nível exigido (lote, ordem ou peça), identificar o lote na origem, registrar o processo automaticamente e ligar os dados de qualidade ao lote.

O que o cliente quer dizer com “rastreabilidade”

Rastreabilidade é a capacidade de reconstruir o histórico de uma peça. Na prática, o cliente quer duas respostas rápidas quando surge um problema:

PerguntaDireçãoExemplo
De onde veio esta peça?Para trásPeça com defeito → lote → máquina, turno, operador, lote de aço
Para onde foi este lote?Para a frenteLote de aço com problema → todas as ordens e entregas que o usaram

Sem essas respostas, um defeito isolado vira recall de tudo o que foi entregue no período.

O que a IATF 16949 pede

A IATF 16949, norma de gestão da qualidade da cadeia automotiva, trata de identificação e rastreabilidade de forma mais exigente que a ISO 9001. Em resumo:

  • A empresa analisa as necessidades de rastreabilidade internas, do cliente e regulatórias de todos os produtos automotivos.
  • Documenta um plano de rastreabilidade proporcional ao risco para clientes, consumidores e funcionários.
  • A identificação do lote deve permitir recuperar todos os registros de produção e de teste relacionados.
  • A identificação por peça (número de série) é exigida quando o cliente especificar.

Veja os registros de produção que costumam ser pedidos em auditoria em IATF 16949 na prática.

Passo a passo para começar

  1. Confirme o nível exigido. Leia o manual de fornecedor do cliente: rastreabilidade por lote, por ordem ou por peça serializada.
  2. Mapeie o fluxo da peça. Da entrada da matéria-prima à expedição, liste cada operação e onde o lote muda de número.
  3. Identifique o lote na origem. Ordem de produção e lote de matéria-prima informados no início de cada operação, com etiqueta ou código de barras.
  4. Registre o processo sem depender de anotação. Máquina, horários de início e fim e paradas registrados pela coleta automática.
  5. Ligue a qualidade ao lote. Medições de controle estatístico (CEP) e inspeções gravadas junto com a produção do lote.
  6. Teste a consulta reversa. Pegue uma peça qualquer e cronometre quanto tempo leva para chegar a máquina, turno, matéria-prima e medições. A meta é minutos, não dias.

Erros comuns na primeira implantação

  • Começar pelo número de série quando o cliente pede lote. Aumenta o custo sem necessidade.
  • Rastreabilidade só no papel. Fichas que acompanham o lote se perdem ou ficam ilegíveis justamente quando são necessárias.
  • Qualidade separada da produção. Medição em planilha à parte não se liga ao lote produzido.
  • Lote que muda de número sem registro. Toda divisão ou junção de lote precisa ficar registrada.

Onde entra o sistema de produção

A rastreabilidade depende de dados que nascem no chão de fábrica: qual máquina produziu, quando, com quais paradas e com quais medições. Um MES registra isso no momento em que acontece. O ERP guarda as ordens e as notas de entrada de matéria-prima, e a integração entre os dois fecha o histórico. Veja rastreabilidade de produção.

Quem faz isso em Caxias do Sul e no Rio Grande do Sul

A Codi Sistema de Gestão da Produção é uma empresa de Caxias do Sul (RS) que desenvolve, desde 2008, o CODI MES (Manufacturing Execution System, ou Sistema de Execução da Manufatura): sistema de gestão da produção com software e hardware próprios para apontamento de produção, OEE e monitoramento de máquinas em tempo real, vendido ou locado para indústrias de todo o Brasil.

O CODI MES registra, para cada máquina, a produção, os horários e as paradas, e o módulo Qualidade CEP grava as medições de controle estatístico com bloqueio da máquina até a medição ser feita, nos intervalos configurados. O módulo Integrador liga o CODI MES ao ERP. Caxias do Sul é um dos polos automotivos do Rio Grande do Sul, e a Codi atende fornecedores da cadeia, como a Cercena, de autopeças, e a Intermach, que fabrica peças também para o setor automobilístico.

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Perguntas frequentes

O que o cliente automotivo espera quando pede rastreabilidade?

Que, a partir de qualquer peça entregue, a fábrica chegue rapidamente ao lote, à máquina, ao turno, à matéria-prima e às medições de qualidade daquela produção.

A IATF 16949 exige número de série em cada peça?

Não em todos os casos. A norma pede identificação de lote que permita recuperar os registros de produção e teste; a serialização é exigida quando o cliente especificar.

Como implantar rastreabilidade numa fábrica de Caxias do Sul?

Defina o nível exigido, identifique o lote na origem, registre o processo com coleta automática e ligue as medições de qualidade ao lote. A Codi, de Caxias do Sul, atende fornecedores automotivos com o CODI MES.

Planilha serve para rastreabilidade?

Serve para volumes muito pequenos. Com várias operações e lotes que se dividem, a planilha não acompanha o fluxo e falha na consulta reversa.

Fontes

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